Review: Liga da Justiça 106

Editora: Panini/DC Comics - Tipo: Revista Mensal
NºPáginas: 148 - Papel: Pisa Brite - Formato: Americano (17 x 26 cm)
Publicação: Setembro de 2011 - Distribuição: Nacional - Preço: R$ 14,90

Liga da Justiça: "O Bicho Papão" (J. League of America 49)
Roteiro: James Robinson, Arte: Pow Rodrix e Robson Rocha
"Um Natal Corrido" e "Motivos Natalinos" (DC Universe Holiday Special '09)
Roteiro: Amy Wolfram, Fred Van Lente, Arte: Daniel Leister, Nick Dragotta
LJI: "Quanto mais se vê, menos se sabe"
(J. League Generation Lost 10)
Roteiro: Judd Winick, Arte: Joe Bennet
LJI: "Envenenamento por Metal Pesado"
(J. League Generation Lost 11)
Roteiro: Judd Winick, Arte: Aaron Lopresti
Flash: "Tudo que vai tem volta" (The Flash 7)
Roteiro: Geoff Johns, Arte: Scott Kolins
Arqueiro Verde: "Homem do Povo"
(Green Arrow 1)
Roteiro: J.T. Krul, Arte: Diógenes Neves

Sinopse: LJA: Donna Troy reencontra um velho inimigo dos Titãs e agora precisa enfrentar dolorosas lembranças do seu passado. LJI: Batman decide investigar sobre Maxwell Lord, mas não obtém sucesso. Max sela uma perigosa aliança com Magog e a Liga faz uma importante descoberta. Ao invadir uma base secreta de Max Lord, Soviete Supremo, Fogo e Gelo se deparam com a ameaça dos Homens Metálicos. Flash: A origem do Capitão Bumerangue. Curioso sobre seu futuro, Digger acaba libertando o Flash Reverso. Arqueiro Verde: Banido para a floresta de Star City, o Arqueiro Verde ainda está disposto a ajudar o povo de sua cidade, mas encontrará a resistência de uma nova e misteriosa inimiga. E ainda, duas histórias natalinas com Flash e Caçador de Marte.

Opinião:

Não sou um grande fã desta atual formação da Liga da Justiça constituída basicamente por personagens secundários, mas simpatizo com a iniciativa dos autores em criar histórias simples e divertidas, algo que lembra até as primeiras edições de Superman & Batman.

Porém, a trama desta edição foi um tanto "bobinha" demais. Uma trama com Donna Troy e Jade revivendo tragédias passadas, além de não ser nada original, também não leva a lugar algum. Pra piorar, o tal Bicho-Papão não convence nem como monstro de historinha infantil, quanto menos como super-vilão. O que salva mesmo é o clima de romance entre Kara e Dick e os bons desenhos.

Mas, se a Liga principal não está no auge dos seus dias o mesmo não se pode dizer da Liga da Justiça Internacional, ou "Liguinha" para os íntimos. Judd Winick vem dando um show de caracterização de personagens e sua trama cresce em ação e emoção a cada capítulo. Maxwell Lord se destaca como o vilão manipulador e inescrupuloso, mas os heróis não ficam atrás esbanjando carisma e trabalho em equipe.

As duas histórias deste número possuem características bem distintas: na primeira prevalesce o clima de suspense com as estranhas visões de Max Lord que o levam a forjar uma aliança com Magog e o misterioso efeito psíquico que impede o Batman de investigar mais a fundo a identidade do vilão; na segunda temos uma aventura fantástica envolvendo um antigo grupo de heróis robóticos, os Homens-Metálicos, que ludibriados pelo Dr. Ivo, partem com tudo pra cima dos membros da Liga que investigavam um laboratório secreto cheio de robôs.

O cuidado com que Winick introduz personagens secundários à trama, como Magog, Batman, Poderosa e, principalmente, os Homens-Metálicos, é o mesmo dedicado aos protagonistas, com cada diálogo, ação e reação devidamente pensado para extrair o melhor para a história que está sendo contada. No aspecto emocional, por exemplo, temos toda a humanidade de Fogo e Gelo que, apesar de bem diferentes, possuem dúvidas, temores e sentimentos bem parecidos. No extremo oposto temos o Capitão Átomo, um lider nato, dividindo o comando da equipe com o Gladiador Dourado, que exerce o papel de líder devido a sua determinação em caçar Maxwell Lord. Skeets dá o suporte técnico e fornece informações, enquanto que o Besouro Azul e o Soviete Supremo servem de alívio cômico e artilharia pesada. Com um grupo tão equilibrado e roteiros bem trabalhados, é facil dizer porque muitos apontam essa série como uma das melhores do momento.

Mas, Judd Winick não é o único responsável pelo sucesso da série. O escritor ainda conta com o apoio do roteirista da antiga versão da LJI, Keith Giffen, e uma bela equipe de desenhistas formada por Fernando Dagnino, Joe Bennet e Aaron Lopresti, que se revezam entre as edições, mantendo a qualidade sempre em alta.

Quem também não deixa a peteca cair é o roteirista Geoff Johns que junto de seu parceiro de longa data Scott Kolins contam uma boa história do Flash, sem o Flash. Não é segredo que Johns adora a galeria de vilões do Corredor Escarlate, por isso, já passava da hora de ele contar a origem de um dos mais controversos membros deste grupo, o Capitão Bumerangue.

Uma infância sofrida e de maus tratos ajudou a forjar a personalidade do malandro Digger. Até aí nada demais, era uma história legalzinha de origem e só. Mas é então que o velho Bumerangue, guiado pelos pesadelos que o assombram desde o dia em que foi ressuscitado pela Lanterna Branca, tem a infeliz ideia de libertar o Flash Reverso, um desfecho que não só deu uma reviravolta na trama desta edição, como deverá ditar o ritmo das próximas aventuras do Flash até a aguardada série Flashpoint, que por aqui terá o estranho nome de Ponto de Ignição.

Um pouco atrasado em relação aos demais títulos da revista, o Arqueiro Verde enfim estreia sua mais nova fase, com roteiros de J.T. Krul e desenhos do artista brasileiro Diógenes Neves.

Numa pegada bem estilo Robin Hood, Oliver Queen volta a ser o caçador solitário que habita uma floresta nos arredores de Star City, mas sem deixar de lado o perfil de "herói do povo" que adquiriu ao longo dos anos protegendo sua cidade. Krul trabalha muito bem a agressividade do personagem, sem cair em exagero, e dá mostras de que pretende trabalhar com um pé mais fincado na realidade, apesar de explorar também alguns elementos mais exóticos como a aparição de uma vilã misteriosa e os estranhos poderes da floresta. Os desenhos de Diógenes Neves também são muito bons e adequados ao clima das histórias.

Para um primeiro número, dá pra dizer que o Arqueiro começou bem, com um assassinato misterioso a ser desvendado, uma vilã que assumiu as indústrias Queen disposta a eliminar o antigo dono e até a velha e boa parceria com Hal Jordan.

Completando a edição temos duas histórias de Natal em pleno mês de Setembro. Na verdade elas estão ali apenas para preencher o espaço vago na revista, uma vez que o título da Liga da Justiça tem mais páginas do que o habitual. A história do Flash, a mais divertida,
mostra Wally West correndo para não decepcionar sua família e seus amigos no dia de Natal. Na outra história vemos o Caçador de Marte investigando um crime enquanto tenta entender o fascínio do Natal nos humanos a sua volta.

Notas: LJA: 6,5; LJI: 8,7; FL: 7,9; AV: 7,6; DCH: 6,0

Conclusão: Edição muito bacana para os fãs do Arqueiro Verde, que inicia uma nova fase de forma bem interessante, e para quem quiser começar a colecionar a revista a partir deste número, uma vez que a maioria das histórias são de boa qualidade e não exigem um conhecimento prévio do que vinha acontecendo para serem apreciadas. O destaque especial vai para a elogiada série Liga da Justiça - Geração Perdida, que traz duas ótimas histórias nesta edição, e para a belíssima capa de Mauro Cascioli.

Galeria:



Na Próxima Edição: LJA: uma visitante de um mundo destruído vai até a Liga para avisar de uma ameaça iminente. No entanto, antes que a equipe possa tomar qualquer iniciativa, são atacados pelo Sindicato do Crime. E, pior, um novo e poderoso vilão faz sua estreia! Arqueiro Verde: Hal Jordan e Oliver Queen são cercados pelas forças de Isabel Rochev. E pelo menos um dos dois heróis pode não chegar vivo ao final da edição! LJA – Geração Perdida: a verdade sobre Gelo! O feroz ataque de Magog! E uma tragédia avassaladora! Flash: a origem do insano Flash Reverso. E ainda: uma história com o Tornado Vermelho.

Critério de Notas: 0 a 2,9 = Péssimo!; 3 a 4,9 = Ruim; 5 a 6,9 = Regular; 7 a 8,9 = Bom; 9 a 10 = Ótimo!

Leia meus reviews para a revista do Batman e GHM no site: http://www.fanboy.com.br/


Marcelo Delmanto, 20/10/11

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